quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sobre tatuar-se

E daí que vim morar em São Paulo e de repente voltei pra Vitória com uma tatuagem no pé. Será que isso ainda choca? Então senta que lá vem história.

Sempre gostei de tatuagem e sempre quis fazer uma. Quando completei os famigerados 18 anos, minha mãe [olha ela de novo, gente] pegou o cajado, bateu ele no chão e abriu o mar de Camburi... tô brinks. Ela virou e disse meio que com raiva e meio com saco cheio: então vai lá vai. Vai e faz. E faz um sol [não vou dizer nem onde e nem como deveria ser o sol, vou deixar pra vocês imaginarem].

Óbvio que não fui. Corta pra 2009.

Já morava em Sampa havia uns meio ano e tinha acabado de voltar de uma temporada da onde? Vancouver? Nããããão. De Vix City. Tinha voltado com dindin em espécie e uma vontade na cabeça: rabiscar-me definitivamente.

Pois bem, em um role pelo centro da cidade com a Mary entramos na Galeria do Rock. E gente, quantos estúdios de tatuagem e quanta gente rabiscada e furada. E assim, num ímpeto nunca antes visto na minha vida, resolvi que aquela era a hora.

A dúvida: o que tatuar? Ímpeto é ímpeto, neam? Aí tentei ir pela lógica feminina, que na verdade só faz sentindo pra mim: tatuar só um coração – que era a idéia inicial – custava o mesmo que fazer uma coisa um pouco maior. E aí o que fiz? Um coração AND as iniciais dos meus irmãos.

Cheguei em casa esbaforida dizendo pra minha irmã que tinha uma surpresa pra ela. Parênteses, preciso dizer que a C. nunca soube disfarçar bem suas reais emoções. Quando mostrei meu delicado pé 40 e poucos, todo dolorido do desenho, ela fez uma cara de quem tinha comido jiló com calda de limão.

Alguns dias se passaram e fui providenciar umas coisas pra minha irmã. Descendo a ladeirinha que tem perto da minha casa torço o pé. E adivinhem qual pé? Vamo lá galera, a chance de acerto é de 50%...Sim, senhoras e senhores: torci o pé tatuado. O que fazer? A tonta aqui liga pra mãe e conta o que tinha aprontado alguns dias antes. Não contente em torcer o pé, no mesmo dia no centro da cidade de São Paulo sou premiada com uma mega chuva. Éééé, é dessas chuvas que vocês vêem na TV. Preciso dizer que o centro da cidade aqui é sujo? E que tem ratos? E que fiquei morrendo de medo de pegar leptospirose?

Cuidei do pé, minha família veio passar o fds aqui e ainda não tinha contado pro meu pai que tinha feito a tattoo. Fui e contei com o jeitinho mais meigo que consegui imaginar: - Olha pai, fiz uma tatuagem no pé. São as iniciais dos meus irmãos. Ele vira pra mim e diz: - Você tá feliz? E eu digo que sim e ele nada mais diz. Fiquei tão delosada porque tava esperando um super esporro.

Minha mãe ao ver o rabiscado definitivo me xingou com uns palavrões que prefiro não reproduzir e meu irmão achou o maior barato.

Depois desse fds em família tivemos mais algumas poucas chances de estarem os 5 juntos. Minha irmã casou, mudou e levou o coador. Meu irmão foi morar em Minas e como lá não tem mar ele passou a ir pro bar. Bom, meu pai como vocês já sabem veio a falecer no final do mesmo ano. E toda vez que olho pra minha primeira tattoo me vem a lembrança que nunca mais teremos um verão todos juntos.

E assim foi. Depois vieram mais tatuagens fofas e minha mãe desistiu de mim me aconselhando: vê se pelo menos escolhe um desenho bonito na próxima.

E meus irmaos, bom, C. tá aí pensando se ela se tatua ou não. E o T. continua indo pro bar porque em Minas ainda não chegou o Mar.

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